segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
MEMORIAL
Sou de uma família pequena (somos cinco), porém a todos nos foi oferecida a oportunidade de estudar. Meus pais valorizavam muito o estudo, apesar de ambos não terem estudado muito, mas minha mãe sempre fez um esforço ferrenho em nos oferecer uma vida melhor. Desde bem pequena quando via minha irmã sair para o colégio chorava pedindo pra ir também. Até que aos três anos e sete meses minha mãe caiu na minha conversa e comecei a estudar no antigo Patronato da minha cidade. Infelizmente por ser muito pequena ia praticamente pra dormir. Mesmo assim, com pouco tempo surpreendi minha mãe quando consegui ler o nome U–R–U–O-C-A, o nome da minha cidade que é escrito bem visível na estação ferroviária que fica vizinho à minha casa. Com isso, tive a confirmação de que sabia ler. Recordo que fiquei toda orgulhosa e todo nome que via desde então fazia questão de ler.
Descobri o mundo mágico da leitura e meu irmão mais velho foi um grande incentivador porque sempre me presenteava com gibis e lia com enorme freqüência. O primeiro livro que li não tenho lembrança, mas posso dizer que lia o bastante e por isso não tinha dificuldade em estudar os conteúdos que me eram apresentados.
No primeiro e segundo anos do Ensino Médio dei uma pausa na leitura e só lia aqueles livros da Literatura Brasileira que eram sugeridos para algum trabalho. No terceiro ano resgatei a minha vontade de ler e isso me ajudou a escolher o curso que resolvi fazer. Passei no vestibular para Letras logo que terminei o Ensino Médio e fui a segunda colocada da turma. Isso me incentivou bastante.
Na faculdade tive o privilégio de estudar com uma turma estudiosa e amante de livros. Fizemos uma assinatura do Círculo do Livro. Existia aquele incentivo por ler todos os livros comprados pela turma e dessa forma passei a gostar de romances, poesias e outras leituras. Foi aí que passei a fazer meus próprios textos e poesias. Às vezes achava minhas produções meio bobas, mas com rimas e caráter narrativo. Desde então passei a ser “a poetisa” da sala de aula durante todo o curso - qualquer acontecimento ou evento era motivo pra escrever um poema ou cordel, muitas vezes com o codinome “O Espião”. Criei um cordel falando daquilo que mais marcava ao longo de cada ano, onde a aceitação foi ótima e a curiosidade por descobrir o autor só foi desfeita na confraternização do último ano.
O fato de ser uma degustadora de livros auxiliou meu crescimento como produtora de textos. Uma das professoras de Literatura incentivou toda a turma a produzir textos e poemas e se comprometeu a publicar através da Universidade o nosso livro. Infelizmente ficou só no sonho e nunca foi pro papel. Depois de um tempo ri dos meus trabalhos e ao mesmo tempo me surpreendi com meus feitos. Mesmo assim, rasguei todos.
Fernando Pessoa foi o responsável pela minha paixão pela poesia, mas tem Drummond, Cecília Meireles e muitos outros que despertaram a minha sensibilidade e muitas vezes me fizeram viajar e sonhar.
Posso dizer com convicção que o Curso de Letras foi o resultado de muita dedicação e de oportunidades surgidas. Referência de professora de gramática foi a ilustre e memorável Maria das Graças Pontes que aterrorizava com suas cobranças, mas que me encantava pela capacidade que teve em aprender a gramática e passou esse sentimento pra todos nós de uma forma que expressamos ao homenageá-la como madrinha da turma. Que Deus a tenha!
Durante o tempo em que trabalhei como professora, procurei passar para meus alunos a paixão que tinha pelos livros e procurava mostrar o que tinha de belo em cada um deles. Através da leitura é que construímos a maior parte do conhecimento que possuímos e que é impossível aprender sem ler e consequentemente galgar caminhos produtivos.
Quando de certa forma troquei a sala de aula por cargos gerenciais mudei o estilo de leitura porque tive que me interessar por assuntos técnicos, leis, decretos, leituras sobre gestão, finanças e outras, mas isso apenas diversificou o tipo de leitura porque mesmo assim leio livros e romances espíritas, auto-ajuda e procuro sempre ler uma revista ou jornal.
Sou apaixonada pelo poder que as palavras têm. Até me arrisco a produzir algum texto ou artigo, mas só publiquei um na revista Gestão em Rede, no ano de 2005.
Sou apaixonada pela riqueza e poder das palavras; pelo que se pode conseguir, imaginar e sonhar. Ainda vemos alguns professores que desconhecem esse poder e pelo pouco tempo que se oportuniza para ela (a leitura), considerando-o seu maior obstáculo. Conforme uma colega formadora do Gestar que diz, também assim penso: “Sonho com o dia que professores e alunos troquem seu livros, recomendem, comentem e aprendam que leitura e escrita são armas para enfrentar o mundo; que o maior parceiro terrestre de um homem é o livro, ou Deus não teria deixado um para nossa orientação.”
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Gostei de sua história, e fiquei curiosa, quanto as obras do "Espião". Que pena que você as rasgou! Acho que muitos gostariam de conhcê-las como eu.
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